terça-feira, 11 de junho de 2013

Curtindo a Vida Adoidado (1986)

Nome Original: Ferris Bueller's Day Off
Direção: John Hughes
Roteiro: John Hughes
Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jeffrey Jones, Charlie Sheen 
Origem: EUA
Ano de Lançamento: 1986
Duração: 103 minutos




Há exatamente 27 anos atrás, no dia 11 de Junho de 1986, era lançado um dos maiores clássicos da atualidade: "Curtindo a Vida Adoidado". O filme conseguiu como poucos eternizar uma geração, com um humor inteligente, capaz de retratar o sonho de quase todo mundo de, pelo menos por um dia, escapar de todas as responsabilidades diárias e simplesmente divertir-se! Se "Carpe Diem" é um mote para muitos, este filme é a representação cinematográfica desta frase.

É justamente a simplicidade com que isto é feito que encanta qualquer um que assiste ao filme. O enredo é fácil de ser compreendido e ainda mais fácil de nos identificarmos com ele: Ferris Bueller (Matthew Broderick), um estudante, finge estar doente para poder cabular aula. Então, arranja um jeito de levar sua namorada, Sloane, e seu melhor amigo neurótico, Cameron, para "curtirem a vida adoidado", enquanto o diretor de sua escola sai à sua caça. Não há nenhuma proposta de algo a mais neste enredo ou nos personagens: somente a diversão pela diversão, algo que no fundo qualquer um de nós sempre quis ter o desprendimento de fazer.

E em cada loucura nova de Ferris na tela vibramos com ele, seja imaginando "o quanto ele é louco" ou "ah, bem que poderia ser eu". Para mim esse foi o maior acerto do diretor John Hughes neste filme. Em todos os momentos vemos um esforço hercúleo de Ferris para conseguir escapar e simplesmente se divertir. Confesso que por muitos anos, eu tentei bolar um sistema engenhoso como aquele do quarto dele, com um boneco na cama amarrado à maçaneta e sons de tosse ao fundo. Pois sempre quis ter essa despretensão de poder criativamente colocar em prática todas as minhas vontades. Ferris é assim: não está preocupado em alterar as regras da sociedade e criar um mundo melhor, mas sim em quebrar as regras para sua própria diversão. Mata aulas, forja sua doença, se faz passar por qualquer autoridade que lhe convenha e até consegue estar acima da micro-sociedade escolar, sendo amado por todos os grupos, sem um vínculo mais forte com nenhum deles. 

Ferris é assim, a essência máxima da juventude americana dos anos 80, geração conhecida nos livros de história como baby boomer. Ao contrário da geração de seus pais, que foi à guerra lutar pelo seu país, os baby boomers só queriam cantar Twist 'n Shout nas ruas no horário de aula. Hughes foi fabuloso ao conseguir colocar isso nas telonas de maneira tão explícita e cativante. Vale o mérito também de Matthew Broderick, cuja atuação como Ferris foi, para mim, a melhor atuação de sua carreira: desprendido e nitidamente divertindo-se absurdamente com seu papel, Broderick consegue mentir descaradamente e ainda nos fazer gostar imensamente dele. E mesmo nas cenas em que o ator "conversa" com o público, quebrando a "quarta parede", como Woody Allen (ou melhor?), ele o faz com uma naturalidade que parece que somos amigos antigos dele. 

Aliás, falando de elenco, destaco também outros três atores: Alan Ruck, como o amigo Cameron Frye, talvez o personagem mais complexo do filme, um cara irritantemente medroso e hipocondríaco, que consegue relances da felicidade que ele mesmo reprime e assim cativa imediatamente a qualquer um; Jeffrey Jones,  como o diretor Ed Rooney, sem dúvida um dos vilões mais divertidos e convincentes da história do cinema; e por fim, em uma daquelas pontas inesquecíveis das telonas, Charlie Sheen, como o delinquente que encontra a irmã de Bueller na delegacia. Sheen havia ficado duas noites sem dormir para ter aquela aparência destruída, o que alinhada com suas frases curtas e seu carisma único, rendeu um outro momento inesquecível do filme (como tantos). 

Em suma, Curtindo a Vida Adoidado é um filme que me ensinou inúmeras coisas: os 3 pontos para enganar os pais, moicanos com shampoo, andar de ré não volta o odômetro do carro, que ninguém completa as frases dos professores, que não é possível ir para a escola em um "dia como esse", e principalmente que a "vida anda muito rápido". Assim, "se não pararmos de vez em quando para admirá-la, podemos perdê-la". O mesmo acontece com esse filme: precisamos, a meu ver, de vez em quando parar para admirá-lo, pois podemos perder a sua essência. Save Ferris!

Vale um Ingresso de Ouro!
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Veja também a crítica de Rodrigo Serrano




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