Roteiro: Andrew Kevin Walker
Elenco: Morgan Freeman, Brad Pitt, Gwyneth Paltrow, R. Lee Ermey, Kevin Spacey
Origem: EUA
Ano de lançamento: 1995
Duração: 127 minutos
*Contém Spoilers*
Já na incômoda abertura do filme,
somos preparados para o clima que virá em seguida. A história é ambientada em
uma cidade dos EUA, a qual o nome nunca é mencionado, assim tornando os fatos
universais. O ambiente é escuro e
caótico, chove o tempo todo, passando uma sensação incomoda para o expectador.
O filme nos apresenta sutilmente
seus personagens, Somerset é um velho detetive, culto, cansado e prestes a se
aposentar que se depara com uma nova e complicada investigação quando chega a
seu distrito policial o jovem e empolgado David Mills, que em pouco tempo de
tela se auto intitula como “Serpico” à sua esposa Tracy (Gwyneth Paltrow),
assim se revelando um policial com gana de exercer sua profissão da melhor
maneira possivel, do tipo incorruptível (para quem não se lembra, Serpico é um
policial incorrupto interpretado por Al Pacino em um filme 1973 de mesmo nome
dirigido por Sidney Lumet).
Logo no início do filme Somerset
é chamado para averiguar uma ocorrencia e se depara com um homem obeso morto,
seu rosto afundado em um prato de macarrão, ele está todo amarrado, de forma a
se chegar a conclusão de que aquela morte fora um assassinato. No dia seguinte,
outra vitima é encontrada e no chão há a palavra “Cobiça” escrita com sangue.
Somerset volta ao local do primeiro crime e descobre que havia a palavra “Gula”
escrita com gordura na parede, assim deduz que esses crimes são frutos de um
serial killer (assassino em série) e o mesmo se baseia nos 7 pecados capitais,
gula, cobiça, luxuria, inveja, ira, preguiça e vaidade.
Somerset segue um caminho
diferente de uma investigação comum e vai à biblioteca pesquisar os livros em
que os sete pecados são citados, cita “A Divina Comédia”, “Paraíso Perdido” e “Os
Contos de Canterbury”. Ele é culto e paciente, tenta mostrar que à Mills que
esse é o primeiro passo para essa investigação, porém Mills prefere ler os
resumos dos livros para resolver mais rápido, pois claramente prefere a ação.
Tracy, a esposa de Mills, é sem
dúvida o tom de vida que permeia o filme, a esperança de uma nova vida com seu
amor, que fora seu namorado desde a adolescência e mais tarde uma suposta
gravidez a traz mais para perto do publico, e isso é muito importante para o
ápice da história. Ao convidar Somerset para um jantar em sua casa,
presenciamos o que seria o único momento de descontração do filme.
O vilão nos é revelado a 30
minutos do final, a partir dai as atenções estão voltadas totalmente a ele.
John Doe é interpretado magistralmente por um quase desconhecido Kevin Spacey,
ele é frio e calculista, cheio de argumentos para seus atos, sua interpretação
nos faz lembrar o também Serial Killer Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) de “O
Silencio dos Inocentes” (1991). Em inglês, John Doe é o nome dado a indigentes, aqui o assassino é um fantasma urbano, um ser sem nenhum vinculo com a sociedade onde está inserido.
Esse é o segundo filme de David
Fincher, seu debut foi em “Alien³” (1992) e depois vieram os ótimos “Vidas em
Jogo” (1997) e “Clube da Luta” (1999). Assim como Alfred Hichcock, ele não
precisa mostrar muito para que o publico sinta verdadeiro asco em algumas
situações.
Analisando os aspectos técnicos,
Fincher usa muito o vermelho para realçar a violência presente em alguns
ambientes, nas fotos abaixo, podemos notar o uso da cor em ambientes que estão
diretamente relacionados com o assassino, desde o carpete do corredor de seu
apartamento (assim como a porta do imóvel) à sua roupa depois de preso,
contrastando os tons escuros e apáticos das roupas de todos daquela cidade,
assim o diferenciando ainda mais de todos ali.

É curioso ver como o numero 5 é insistentemente mostrado durante todo o filme, sempre
vinculado ao detetive Mills, na lousa da delegacia em que são listado os 7
pecados, o 5° pecado é a “Ira” (tradução de Wrath em inglês) e quem comete o
crime relacionado a esse pecado é justamente o próprio Mills, não acredito que possa ser considerado pista e recompensa, pois nos é mostrado muito sutilmente.
Na segunda foto, vemos que o
numero da nova sala de Mills é “714”, onde podemos fazer uma divisão que
ficaria: 7 (pecados) e 1+4 (igual a 5, 5°pecado).
Já na próxima foto, podemos ver
que o numero do apartamento do detetive é “5A”, mais uma vez evocando o número
5 e o “A” que poderia significar “Angry” (Raiva) que é o sinônimo de “Wrath”.
Depois de um interrogatório,
também podemos ver que o numero da sala em que Mills se encontra esgotado é
mais uma vez o“5”.
O posicionamento de câmera é
muito importante para determinar a importancia de cada personagem em
determinado momento, ao se revelar e se entregar, John Doe é mostrado com a
camera de baixo para cima, o que signica que ele domina o momento.
Mais tarde, John Doe se declara
culpado com a condição dos dois detetives o acompanharem até determinado local,
onde provavelmente encontrariam mais duas vítimas. No caminho, Mills inicia uma
conversa com Doe, para tentar entender o que se passa em sua cabeça. Nesse momento,
o detetive desdenha do assassino, que ouve a tudo passivamente, a camera
focaliza Mills através das grades de proteção do carro, as grades estão
embaçadas, dando total enfoque no rosto de Mills e ao mostrar o assassino, a
grade está bem delineada, colocando Doe em posição inferior, após Doe começar a
explicar seus ideiais, Mills fica sério e o vemos através de uma grade já bem
definida, invertendo os papéis.
Um pouco adiante, quando Mills
descobre o que havia no pacote entregue à Somerset, a visão que temos é de uma
Handicam (camêra na mão), a imagem tremida nos coloca dentro do turbilhão de
confusos sentimentos que Mills está sentindo naquele momento, ao mesmo tempo,
ao focalizar Doe, o close nos passa a
calma do assassino, que impassivo, comemora o desfecho de seu engenhoso plano.
Essa é uma das cenas mais angustiantes que tive a oportunidade de assistir, e
ao final o alívio é fato, porém acompanhado pela sensação incomoda de saber que
o mal venceu novamente.
Além das ótimas atuações, desde o novato Pitt ao mais
experiente Morgan Freeman, Seven se beneficia pelo roteiro amarrado e
envolvente, mantendo a atenção do expectador até seu derradeiro final.
Vale 5 ingressos
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Veja também a crítica de Bruno Miquelino







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