quarta-feira, 29 de maio de 2013

Somos Tão Jovens (2013)


*Contém Spoilers*


Nome Original: Somos Tão Jovens
Direção: Antonio Carlos da Fontoura
Roteiro: Marcos Bernstein
Elenco: Thiago Mendonça, Laila Zaid, Bruno Torres, Marcos Breda, Sandra Corveloni 
Origem: Brasil
Ano de Lançamento: 2013
Duração: 104 minutos

Somos Tão Jovens começa com uma bela introdução em que a infância e a adolescência de Renato Russo nos é mostrada de forma a dizer de forma subjetiva pelo diretor que o filme não abordaria toda a vida desse grande poeta brasileiro, mas apenas uma parte. É difícil dizer, mas acho que foi o período de mais inspiração e encontro com si próprio que ele teve em vida. 

Vimos nos últimos anos, cinebiografias diversas sobre astros da música brasileira, como Gonzaga - De Pai para Filho (2012), Cazuza - O Tempo não Pára (2004) e Dois Filhos de Francisco (2005). Filmes belos cujas histórias de vidas dos personagens foram, muitas vezes, até mais interessantes que suas próprias obras. Aqui podemos ver o começo do Rock Nacional dos anos 80, de onde apareceram grandes ícones como, claro, a  Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial e muitos outros, que encontravam em suas letras uma forma de lidar com a ditadura militar, com conflitos internos, enfim, com um verdadeiro turbilhão de emoções prestes a explodir a qualquer momento. 

O filme tem seu ponto alto em seu protagonista e, para deleite dos fãs, Thiago Mendonça consegue   perfeitamente lidar com o peso de interpretar o grande ídolo, com muita leveza e se ajustando a todos os trejeitos de Renato. O roteiro aborda bem o final da adolescência de Renato Russo, onde após o mesmo ser vítima de uma doença que o deixa muito tempo em repouso, ele se encontra em grande conflito depois muitas leituras e de ouvir muito Rock N' Roll , músicas essas que seus amigos traziam do exterior. Nem é preciso lembrar a dificuldade que era para se obter uma música, livro ou qualquer veículo de informação antes do final dos anos 90... Todo o movimento punk na Inglaterra desperta algo nesse rapaz de Brasilia e ao se recuperar, vai atrás de expressar todo sentimento reprimido através de sua poesia, de sua música, durante vários anos de sua vida, começando pela banda "Aborto Elétrico". 

Minha maior crítica ao filme é a covardia de não mostrar um aprofundamento na bissexualidade de Renato, fato importante que ele não escondeu e fez questão de deixar bem claro durante sua vida e carreira. Uma relação sexual com sua amiga é bem clara, quando sua atração a homens foram diminuídas apenas a flertes e carinhos como um abraço ou uma declaração num momento de bebedeira. O roteiro também me deixou muito desconfortável ao introduzir algumas frases marcantes de suas músicas em diálogos casuais como ele falando: "Tédio com um T bem Grande" num momento monótono, ou "Quanta gente Esquisita" ao entrar numa festa de burgueses. Também acho que a câmera é muito inquieta, quando poderíamos nos concentrar mais na história, acredito que o diretor queria que sentíssemos aqueles momentos conturbados através desse tipo de movimento de câmera.

Também foi muito bacana ver outros cantores e bandas aparecerem durante a jornada de Renato, como os irmão "Lemos", "Dinho Ouro-Preto", e até mesmo "Herbert Vianna". Apesar de achar estranho e num primeiro momento, acredito que o roteirista tenha acertado ao finalizar o filme no começo de sua carreira na Legião Urbana, e muito mais feliz por não transformar o filme em um dramalhão ao abordar sua derradeira morte em 1996. 

Apesar das poucas críticas acima, o filme me empolgou como poucos filmes nacionais ou até mesmo cinebiografias internacionais, pois em minha adolescência, muito ouvia os versos dessa banda que, em minha opinião é a melhor banda de rock brasileira de todos os tempos. A Legião Urbana e seu líder, Renato Russo, fizeram muita companhia para mim em momentos, felizes, tristes ou até mesmo angustiantes e posso afirmar que fui e ainda sou muito feliz por todos esses momentos. Minha maior frustração é saber que nunca verei um show seu, e sinto muita falta desse cara que me deixou meio órfão há quase 17 anos. 

P.S.: Pode ter sido brega, mas a maneira como a música "Ainda é Cedo" é introduzida no filme, achei extremamente emocionante. 

Curiosidade:
A direção musical é de Carlos Trilha, que participou da banda de apoio da Legião e arranjou e produziu dois CDs solo de Renato Russo, “The Stonewall Celebration Concert” e “Equilíbrio Distante”. Foram muitos meses de preparação para que Thiago cantasse e tocasse as músicas do longa em performances ao vivo.


    THIAGO MENDONÇA


RENATO RUSSO







Poster do Filme



Vale 4 Ingressos

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Veja também a crítica de Bruno Miquelino

2 comentários:

  1. Assisti o filme...sinceramente achei tudo meio fantasia, exatamente do filme ficar em cima de um romance com uma amiga que não sei se existiu. Mas gostei principalmente porque vivi esse período, esse início de manifestações de bandas, tinha discos e fitas dessas bandas. Fui a shows de quase todas as bandas...menos do Plebe Rude...mas enfim..bom filme...se acompanhado por um bom vinho Chileno melhor ainda (que foi o meu caso rsrsrs).

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  2. Achei que tudo foi muito corrido, até mesmo pq era muita informação para pouco tempo. A amiga dele não existiu, ela representa várias amigas na época. Estava muito relutante em assistir esse filme, por gostar tanto do Renato, mas embora tenha sentido a falta de mais detalhes, entendo perfeitamente que é apenas 1 filme e que tenha duração limitada. Seria muito bom se fizessem uma série, com a história mais detalhada, como fizeram com "Gonzaga - De Pai para Filho (2012)".

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