terça-feira, 29 de maio de 2012

SE7EN (1995)

Direção: David Fincher
Roteiro: Andrew Kevin Walker
Elenco: Morgan Freeman, Brad Pitt, Gwyneth Paltrow, R. Lee Ermey, Kevin Spacey
Origem: EUA
Ano de lançamento: 1995
Duração: 127 minutos





*Contém Spoilers*


Já na incômoda abertura do filme, somos preparados para o clima que virá em seguida. A história é ambientada em uma cidade dos EUA, a qual o nome nunca é mencionado, assim tornando os fatos universais.  O ambiente é escuro e caótico, chove o tempo todo, passando uma sensação incomoda para o expectador.

O filme nos apresenta sutilmente seus personagens, Somerset é um velho detetive, culto, cansado e prestes a se aposentar que se depara com uma nova e complicada investigação quando chega a seu distrito policial o jovem e empolgado David Mills, que em pouco tempo de tela se auto intitula como “Serpico” à sua esposa Tracy (Gwyneth Paltrow), assim se revelando um policial com gana de exercer sua profissão da melhor maneira possivel, do tipo incorruptível (para quem não se lembra, Serpico é um policial incorrupto interpretado por Al Pacino em um filme 1973 de mesmo nome dirigido por Sidney Lumet).

Logo no início do filme Somerset é chamado para averiguar uma ocorrencia e se depara com um homem obeso morto, seu rosto afundado em um prato de macarrão, ele está todo amarrado, de forma a se chegar a conclusão de que aquela morte fora um assassinato. No dia seguinte, outra vitima é encontrada e no chão há a palavra “Cobiça” escrita com sangue. Somerset volta ao local do primeiro crime e descobre que havia a palavra “Gula” escrita com gordura na parede, assim deduz que esses crimes são frutos de um serial killer (assassino em série) e o mesmo se baseia nos 7 pecados capitais, gula, cobiça, luxuria, inveja, ira, preguiça e vaidade.

Somerset segue um caminho diferente de uma investigação comum e vai à biblioteca pesquisar os livros em que os sete pecados são citados, cita “A Divina Comédia”, “Paraíso Perdido” e “Os Contos de Canterbury”. Ele é culto e paciente, tenta mostrar que à Mills que esse é o primeiro passo para essa investigação, porém Mills prefere ler os resumos dos livros para resolver mais rápido, pois claramente prefere a ação.

Tracy, a esposa de Mills, é sem dúvida o tom de vida que permeia o filme, a esperança de uma nova vida com seu amor, que fora seu namorado desde a adolescência e mais tarde uma suposta gravidez a traz mais para perto do publico, e isso é muito importante para o ápice da história. Ao convidar Somerset para um jantar em sua casa, presenciamos o que seria o único momento de descontração do filme.

O vilão nos é revelado a 30 minutos do final, a partir dai as atenções estão voltadas totalmente a ele. John Doe é interpretado magistralmente por um quase desconhecido Kevin Spacey, ele é frio e calculista, cheio de argumentos para seus atos, sua interpretação nos faz lembrar o também Serial Killer Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) de “O Silencio dos Inocentes” (1991). Em inglês, John Doe é o nome dado a indigentes, aqui o assassino é um fantasma urbano, um ser sem nenhum vinculo com a sociedade onde está inserido.

Esse é o segundo filme de David Fincher, seu debut foi em “Alien³” (1992) e depois vieram os ótimos “Vidas em Jogo” (1997) e “Clube da Luta” (1999). Assim como Alfred Hichcock, ele não precisa mostrar muito para que o publico sinta verdadeiro asco em algumas situações.

Analisando os aspectos técnicos, Fincher usa muito o vermelho para realçar a violência presente em alguns ambientes, nas fotos abaixo, podemos notar o uso da cor em ambientes que estão diretamente relacionados com o assassino, desde o carpete do corredor de seu apartamento (assim como a porta do imóvel) à sua roupa depois de preso, contrastando os tons escuros e apáticos das roupas de todos daquela cidade, assim o diferenciando ainda mais de todos ali. 
















É curioso ver como o numero 5 é insistentemente mostrado durante todo o filme, sempre vinculado ao detetive Mills, na lousa da delegacia em que são listado os 7 pecados, o 5° pecado é a “Ira” (tradução de Wrath em inglês) e quem comete o crime relacionado a esse pecado é justamente o próprio Mills, não acredito que possa ser considerado pista e recompensa, pois nos é mostrado muito sutilmente.


Na segunda foto, vemos que o numero da nova sala de Mills é “714”, onde podemos fazer uma divisão que ficaria: 7 (pecados) e 1+4 (igual a 5, 5°pecado).



Já na próxima foto, podemos ver que o numero do apartamento do detetive é “5A”, mais uma vez evocando o número 5 e o “A” que poderia significar “Angry” (Raiva) que é o sinônimo de “Wrath”.


Depois de um interrogatório, também podemos ver que o numero da sala em que Mills se encontra esgotado é mais uma vez o“5”. 


O posicionamento de câmera é muito importante para determinar a importancia de cada personagem em determinado momento, ao se revelar e se entregar, John Doe é mostrado com a camera de baixo para cima, o que signica que ele domina o momento.


Mais tarde, John Doe se declara culpado com a condição dos dois detetives o acompanharem até determinado local, onde provavelmente encontrariam mais duas vítimas. No caminho, Mills inicia uma conversa com Doe, para tentar entender o que se passa em sua cabeça. Nesse momento, o detetive desdenha do assassino, que ouve a tudo passivamente, a camera focaliza Mills através das grades de proteção do carro, as grades estão embaçadas, dando total enfoque no rosto de Mills e ao mostrar o assassino, a grade está bem delineada, colocando Doe em posição inferior, após Doe começar a explicar seus ideiais, Mills fica sério e o vemos através de uma grade já bem definida, invertendo os papéis.


























Um pouco adiante, quando Mills descobre o que havia no pacote entregue à Somerset, a visão que temos é de uma Handicam (camêra na mão), a imagem tremida nos coloca dentro do turbilhão de confusos sentimentos que Mills está sentindo naquele momento, ao mesmo tempo, ao focalizar Doe,  o close nos passa a calma do assassino, que impassivo, comemora o desfecho de seu engenhoso plano. Essa é uma das cenas mais angustiantes que tive a oportunidade de assistir, e ao final o alívio é fato, porém acompanhado pela sensação incomoda de saber que o mal venceu novamente.


Além das ótimas atuações, desde o novato Pitt ao mais experiente Morgan Freeman, Seven se beneficia pelo roteiro amarrado e envolvente, mantendo a atenção do expectador até seu derradeiro final. 


Vale 5 ingressos


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Veja também a crítica de Bruno Miquelino

Um comentário:

  1. Depois de Hannibal o melhor Serial Killer do cinema... Muito bem montada a idéia do filme, gostei...

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